A Organização da Cooperação para a Estabilidade da América Latina
A América Latina não carece de ideias, recursos ou pessoas.
Carece de estruturas capazes de sustentar a cooperação no tempo.
Ao longo de sua história, o continente alternou ciclos de crescimento e ruptura, avanços e regressões, entusiasmo e frustração. Em quase todos eles, um elemento se repete: a fragilidade das estruturas que organizam a cooperação entre Estado, mercado e sociedade.
A CONLATAM nasce da compreensão de que nenhum setor, isoladamente, é capaz de sustentar o desenvolvimento, a coesão social e a prosperidade do continente. Governos governam. Mercados produzem. Mas é a sociedade civil organizada que permite continuidade, mediação e estabilidade.
O espaço que sustenta o sistema
Entre o Estado e o mercado existe um espaço decisivo — muitas vezes invisível, frequentemente subestimado — onde interesses legítimos precisam ser organizados, conflitos precisam ser mediados e agendas coletivas precisam ganhar forma institucional.
Esse espaço não é governamental.
Esse espaço não é mercantil.
Esse espaço é o da sociedade civil organizada.
A CONLATAM existe para estruturar esse espaço em escala continental, organizando a cooperação entre governos, empresas e instituições sociais de forma legítima, previsível e contínua.
Não representamos governos.
Não representamos mercados.
Não substituímos o Estado.
Não concorremos com a iniciativa privada.
Nossa função é organizar a cooperação onde ela não emerge espontaneamente.
Interesse público como fundamento
Interesse público não se confunde com interesse estatal, nem se reduz a agendas econômicas ou conjunturais.
Interesse público é aquilo que precisa existir para que a sociedade funcione, independentemente de ciclos políticos, pressões de mercado ou disputas ideológicas.
A CONLATAM assume como referência o interesse público sociobioeconômico — a integração indissociável entre:
- a vida social e institucional,
- os territórios, biomas e ativos naturais,
- e a economia que deles depende.
Não há desenvolvimento que destrua sua base social ou ambiental.
Não há crescimento econômico que sobreviva à fragmentação institucional.
Não há proteção ambiental viável sem inclusão social e base produtiva.
A sustentabilidade não é um setor.
É uma condição estrutural de continuidade.
A função estabilizadora da sociedade civil
A sociedade civil organizada exerce uma função que nenhum outro setor pode assumir plenamente:
- organiza interesses legítimos antes que se tornem conflito;
- reduz custos institucionais da cooperação;
- cria confiança onde há fragmentação;
- testa soluções antes que sejam escaladas;
- protege o interesse público quando estruturas formais são insuficientes.
O Terceiro Setor não é complementar por carência do Estado ou do mercado.
Ele é estruturalmente necessário para que ambos funcionem.
A CONLATAM emerge dessa tradição, com uma diferença decisiva:
organizar essa função estabilizadora em escala continental.
Tripartite por estrutura, não por poder
A CONLATAM é tripartite porque reconhece a realidade do sistema:
- governos são essenciais para normatizar e garantir políticas públicas;
- empresas são indispensáveis para investimento, inovação e escala;
- a sociedade civil é o eixo que conecta, traduz, equilibra e legitima.
Ser tripartite não significa ser governamental, nem corporativo.
Significa criar um espaço institucional onde a cooperação é possível sem subordinação.
É precisamente por sua independência que a CONLATAM pode:
- atravessar ciclos políticos;
- sustentar agendas de continuidade;
- reduzir polarizações;
- preservar o foco no interesse público.
Uma instituição de tempo longo
A CONLATAM não nasce para responder a conjunturas.
Nasce para atravessar décadas.
Sua vocação é construir:
- estabilidade institucional,
- integração regional,
- cooperação estruturada,
- e capacidade coletiva de resposta aos desafios do continente.
Fortalecer a sociedade civil organizada.
Qualificar a relação entre Estado e mercado.
Transformar potencial disperso em agendas coletivas viáveis.
Acreditamos que não há desenvolvimento sem cooperação,
e que não há cooperação duradoura sem instituições capazes de organizá-la.
Onde estamos
A CONLATAM se coloca no espaço que sustenta o sistema:
não como poder,
não como mercado,
não como governo,
mas como estrutura de organização da cooperação,
instância de estabilidade,
e expressão institucional do interesse público sociobioeconômico da América Latina.
Este é o nosso lugar.
Este é o nosso compromisso.